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Com 3 mil atividades, começa a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

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Começa neste sábado (17), a 17ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que promove eventos em todo o Brasil com o objetivo de dar visibilidade às descobertas e inovações produzidas por instituições nacionais de pesquisa.

A ideia é popularizar esse tipo de conhecimento, muitas vezes restrito a acadêmicos, para os cidadãos, especialmente os mais jovens. A semana segue até a próxima sexta-feira (23).

A SNCT é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações (MCTI), em parceria com secretarias da área nos estados e municípios, além de universidades, escolas e instituições de ensino e pesquisa.

Atualmente, colaboram com a realização deste grande evento as universidades e instituições de pesquisa; escolas públicas e privadas; institutos de ensino tecnológico, centros e museus de C&T; entidades científicas e tecnológicas; fundações de apoio à pesquisa; parques ambientais, unidades de conservação, jardins botânicos, entre outros.

Neste ano, a SNCT terá como tema Inteligência Artificial: a nova fronteira da ciência brasileira. A Agência Brasil publicou no mês passado um especial sobre o assunto.

De acordo com o ministério, a escolha do tema está relacionada ao potencial da inteligência artificial de trazer ganhos na promoção da competitividade e no aumento da produtividade brasileira, na prestação de serviços públicos, na melhoria da qualidade de vida das pessoas e na redução das desigualdades sociais, dentre outros.

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Até domingo o próximo (27), cerca de três mil atividades devem ser promovidas por 66 instituições ligadas aos governos federal, estaduais e municipais, escolas, centros de pesquisa e entidades da sociedade civil. Para conhecer a programação, busque mais informações na página do evento.

Mês nacional

Desde o ano passado, o MCTI decidiu expandir as atividades da semana, e o governo federal denominou outubro como o Mês Nacional da Ciência, Tecnologia e Inovações, celebração que será realizada daqui para a frente pelo Executivo.

De acordo com a pasta, em comunicado oficial em seu site, o mês nacional terá como propósito “mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas e atividades da área, valorizando a criatividade, a atitude científica a inovação e a comunicação”.

Edição: Aécio Amado

Fonte: EBC Geral

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São Paulo terá escultura de arquiteto escravizado

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Em 20 de novembro, dia da Consciência Negra, a capital paulista ganha uma escultura de homenagem ao arquiteto e artesão Joaquim Pinto de Oliveira, que adquiriu notoriedade não só por seu trabalho, mas por dar visibilidade ao racismo no Brasil. 

Conhecido por Tebas, ele assumiu a construção da primeira torre da Matriz da Sé, entre 1750 e 1755, após a morte do homem que se considerava seu senhor, e reformou-a, em seguida, em troca de sua alforria. 

Criada pela arquiteta Francine Moura e pelo artista plástico Lumumba Afroindígena, ao longo de dois meses, a escultura, feita de aço inox
, ferro
 e concreto, tem 3,6 metros de altura por 1,5 metro de largura e 2,6 metros de profundidade e ficará no centro da capital. O monumento será oficialmente inaugurado no dia 3 de dezembro, com organização da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Tebas

Habilidoso no entalhe e na ornamentação de pedras, Tebas acabou se tornando um ícone da arquitetura colonial. Conforme evidencia o livro Tebas: um negro arquiteto na São Paulo escravocrata, organizado por Abilio Ferreira, o racismo, que também permeia a área de arquitetura e urbanismo, ocasionou, no caso de Tebas, a falta de reconhecimento. Até mesmo um historiador, Nuno Sant’Anna, levantou suspeita sobre a vida e a capacidade de Tebas, por ele possuir um sobrenome e saber ler e escrever, algo que não era comum a escravos, mas que, na realidade, indicava que um movimento de emancipação estava em curso.

Segundo os autores do livro, Tebas desenvolveu diversas tarefas, a pedido de líderes religiosos do município, sendo que, em pelo menos quatro igrejas foram encontrados documentos comprovando sua participação: na construção da Matriz, na do Mosteiro de São Bento (1766), na obra da capela da Ordem Terceira do Seráfico São Francisco e na da capela da Ordem Terceira do Carmo. Também foi autor da torre do Recolhimento de Santa Tereza, edifício construído em 1685, na atual Rua do Carmo, e demolido no início do século XX, e do Chafariz da Misericórdia, obra em que atuou como engenheiro hidráulico. Foi devido à aptidão demonstrada no projeto do chafariz que recebeu o apelido de Tebas, que significa algo como “homem que tudo faz”, em kimbundu, língua africana.

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Contudo, citam os pesquisadores, algumas das relações que o arquiteto estabeleceu eram ambíguas, já que a única certeza que deixavam era o rastro de opressão sobre ele. Como exemplo, citam o vínculo que manteve com a viúva de seu proprietário, Dona Antonia Maria Pinto, para quem continuava a trabalhar “com relativa autonomia”. Mesmo quando ainda trabalhava para seu senhor, o mestre pedreiro português Bento de Oliveira Lima, não se sabe, pelos registros históricos, se estava realmente alforriado ou não.

Escultores

Para Francine, o fato de a liberdade de Tebas não ter lhe sido assegurada, mas sim conquistada por ele, diz muito sobre a violência que assola a população negra do país, desde sempre. Ela lembra, ainda, que, para poder sobreviver em uma sociedade racista como a do Brasil, muitos negros se viram obrigados a constituir negociações com os brancos, o que ainda ocorre, nos dias de hoje. “A gente vê tanta estratégias que aconteceram, especialmente entre as mulheres pretas”, afirma ela, que é pesquisadora na área de espaços públicos e coletivos e especialista em Educação, Relações Étnico-Raciais e Sociedade. 

Francine diz, ainda, que a escultura é um elemento “simbólico, poético e político” e que tem o propósito de servir como ferramenta que permita aos negros vislumbrar “um portal para um novo tempo”, opinião compartilhada pelo parceiro de trabalho. “Todos nós estamos buscando nossa alforria. O que é alforria? Você ter três, quatro alimentações por dia, poder ir e vir sem sentir calafrio na espinha? Eu, por exemplo, sinto, quando vejo uma viatura da polícia, em uma rua, sozinho, e me sentir totalmente exposto, frágil como um bebê de colo. Alforria é isso. A gente ainda está buscando isso. Ele alcançou aos 57. Mas quantos de nós estamos sem alcançar?”, provoca Lumumba Afroindígena.

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“Ele [Tebas] foi reconhecido agora, mais de 200 anos depois de sua morte. Que alforria é essa? Fico sempre me questionando e levando [adiante] esses questionamentos”, acrescenta o artista, que já ocupou espaços como a Fundação Nacional das Artes (Funarte) e Matilha Cultural e assinou esculturas de óperas infantis, no Theatro Municipal de São Paulo.

Francine comenta, ainda, sobre quão doloroso pode ser a confirmação de que muitos dos episódios que se viveu foram resultado de racismo. Ela conta que, desde pequena, sua mãe a alertava para a probabilidade de ser vítima de discriminação racial e que, apesar disso, a tomada de consciência chegou há pouco tempo. “Só fui ter consciência de muitas coisas que me atravessaram agora, recentemente, em 2017, por aí, quando fui fazer especialização em relações étnico-raciais”, afirma. 

“A gente sofre um apagamento diário, de legitimação a partir de um sistema extremamente cruel, desumano”, complementa Lumumba Afroindígena.

Edição: Aline Leal

Fonte: EBC Geral

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